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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Dead Again - Type O Negative

Fonte: Metal Archives

     Um ritual que tenho no mês de outubro é ouvir Type O Negative. Pra mim a banda é a cara do Halloween e como nos EUA essa parte do ano é outono (daí o nome de um dos álbuns da banda se chamar "ferrugem de outubro" October Rust), consigo associar as músicas com dias nublados, que amanhecem frios e ficam abafados à tarde, folhas secas no chão que as pessoas adoram pisar pra ouvir aquele "crack", uma atmosfera mais intimista e um tanto quanto antissocial. Definitivamente não penso em sol e em dias floridos. Eu poderia falar sobre o October, mas dessa vez a inspiração é o Dead Again, derradeiro álbum e provavelmente meu favorito.
     Dead Again não tem o apelo comercial como o Bloody Kisses e October Rust, no qual a banda apresentava um Peter Steele bonitão e extremamente sexy (os clips Christian Woman e My Gilrfriend's Gilrfriend não me deixam mentir!), nem a crueza da juventude de Slow, Deep and Hard ou The Origin of the Feces. A banda teve uma fase mais densa, no World Coming Down, que é um álbum que não consigo ouvir com muita frequência inteiro, devido a alta carga de depressão e desolação e uma fase "deixa rolar" com o  Life Is Killing Me, que pra mim é o álbum que melhor oferece um contrabalanço: faixas mais comerciais (I Don't Wanna Be Me e a faixa título), uma balada (We Were Electrocute), faixas mais down (Anesthesia, Nettie) e as músicas que marcam o humor sarcástico de Peter, presentes nos primeiros álbuns da banda (Angry Inch, I Like Goils). Tem de tudo um pouco e foi nessa transição que a banda lapidou o que considero a obra prima e que tem o gosto amargo de despedida.
     O tio barbudo da capa, para quem não conhece é o Rasputin o vilão do desenho Anastácia e tem tudo a ver com o "morto novamente" do título, é só pesquisar a vida dele na Wikipedia. Peter já estava numa fase mais amadurecida de sua vida após anos consumindo drogas pesadas, tido tratamentos psiquiátricos, ido preso, terminado um relacionamento de anos com sua Elizabeth (e ele chama por ela em September Sun...), e não havia muito a perder. Recentemente convertido ao catolicismo e tentando ficar sóbrio ele e o restante da banda consegue nos presentear com um álbum correto, direto e amadurecido. Não há o que ser lapidado em Dead Again. O visual da banda já não era mais apelativo comercialmente como nos anos 90 (Peter estava acabado, esgotado) e as composições apresentam uma complexidade não existente até então (alguém me explica These Three Things e The Profit of Doom), e passam por momentos autobiográficos (Dead Again, Tripping a Blind Man, September Sun), mas contudo há algum humor, mesmo sendo muito mais refinado (as homenagens em Halloween in Heaven, as reflexões em An Ode to Locksmiths).
     Musicalmente o álbum está na medida certa. O peso é na medida e está presente em todas as faixas (não se deixe enganar pelo início de September Sun. Ela inicia inofensiva e termina grandiosa, épica, em nada parece com uma baladinha), tendo um pico em Some Stupid Tomorrow, a faixa que menos gosto. Halloween in Heaven é o momento mais alegrinho e conta com a participação de Tara Vanflower, do Lycia e musa inspiradora da música Stay Out of My Dreams, do The Least Worst Of. O ápice do álbum é She Burned Me Down, com uma guitarra marcante, refrão chiclete, letra bem curta simples e quede repente dá uma reviravolta e se torna uma marcha cantada em russo um idioma estranho. Após vários "everytime I see her start a fire" a música termina só com o baixo, simples. O mesmo baixo que inicia Hail and Farewell to Britain, que com toda certeza deveria ter sido a última música com Peter. Chega a ser macabro que a última faixa do último disco seja uma despedida e ao fim da faixa você ouça uma guerra com um guerreiro atingido, morrendo e ao mesmo tempo é lindo notar que ao repetir o CD dá para perceber como o finzinho dela se encaixa bem com o começo da primeira faixa.
     Apesar da complexidade, é um álbum extremamente fácil de ouvir inteiro e de gostar logo de cara. Apesar de Life Is Killing Me ter de tudo um pouco da banda, acho-o um pouco confuso e bagunçado e isso foi corrigido em Dead Again, para mim o álbum mais acertado do Type O Negative.

Todas as faixas compostar por Peter Steele.
N.ºTítuloDuração
1."Dead Again"  4:15
2."Tripping a Blind Man"  7:04
3."The Profit of Doom"  10:47
4."September Sun"  9:46
5."Halloween in Heaven"  4:50
6."These Three Things"  14:21
7."She Burned Me Down"  7:54
8."Some Stupid Tomorrow"  4:20
9."An Ode to Locksmiths"  5:15
10."Hail and Farewell to Britain"  8:55
Duração total:
77:27
Fonte: Wikipedia


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