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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Laguna - Salvador Dali

     Eu não diria que sou uma pessoa de perfumes. Sou uma pessoa de cheiros. A diferença disso está no fato de eu não entender sobre notas de saída, corpo, fundo, muito menos detectar os diversos cheiros que compõem uma fragrância. Admiro os que dizem que sentem cheiro de abacaxi, coco, âmbar, almíscar, jasmim, etc. Eu sinto "cheiro de um amanhã chuvosa", "cheiro da festa dos meus 17 anos" e coisas do tipo, pois o que me marca são os momentos que vivi e associo-os a algum perfume.


                                                     (meu segundo vidro, agora de 50ml)

     Utilizei esta introdução para me justificar sobre minha opinião sobre o eau de toilette Laguna. Lembro de quando tinha 16 anos e estava no ensino médio, na melhor escola do mundo, o colégio Dr. Albert Sabin em uma aula de Artes, com a professora Mônica. Ela era uma mulher de uns 35 anos, muito alto-astral e tinha uma vibe hippie/ mística. Muito mais do que ensinar técnicas de desenho e pintura (suas aulas eram práticas, não havia teoria. História da Arte vimos conjuntamente em Literatura) ela nos dava dicas preciosas: como lavar o cabelo, como meditar, a importância de não jogar lixo no chão... lembro que ela fez uma leitura de nossa grafia, outra vez ela pediu para que desenhássemos uma árvore e a partir dessas coisas ela nos falou sobre nossa personalidade. Não sei sobre os outros, mas sobre mim ela acertou em 90%, seu único erro foi sobre minha carreira profissional, mas isso é assunto para outro post.



     Voltando ao Laguna, lembro que ela levou uma embalagem vazia deste perfume em uma aula. Não me lembro qual era tema, nem diria que era sobre o Surrealismo, pois como disse não havia teoria, mas lembro-me nitidamente a fascinação que o vidro me causou. Aquele nariz com aquela boca, desenhados com perfeição e ao mesmo excentricidade me chamou muito a atenção. Não pude sentir o cheiro, mas pela embalagem deduzi que era um perfume de uma mulher camaleoa, aquela que foge do óbvio, mas ao mesmo tempo se adapta às diferentes situações da vida. Uma mulher versátil, que passa independência e determinação, mas não deixa de ser misteriosa. Mulher de personalidade forte, que ri e dá gargalhadas, pois tem suas excentricidades e um excelente senso de humor mas não se engane com ela: ela por dentro está tramando alguma coisa para obter o que deseja e é o jeito alegre e despreocupado dela que a fazem ser uma conspiradora acima de qualquer suspeita. Ninguém a fará parar. E isso foi tudo o que vislumbrei a partir do vidro. 



     Foi só 06 anos depois que de fato comprei o perfume, pois achava que por ser importado era caríssimo e eu tinha meus perfumes nacionais para esgotar. Entrei em uma loja, experimentei e nem esperei para ver como ele se comportava em minha pele, comprei o de 30ml na mesma hora. Era mês de junho, Copa das Confederações no Brasil, fazia um dia nublado, não muito frio. Lembro que nessa época eu jogava muito Second Life e quando me lembro dos jogos (o de futebol e o online) rapidamente me vem o cheiro de banho tomado e o Laguna... ele tem um cheirinho de limpeza (o cheiro que mais gosto em qualquer perfume!), mas não é uma coisa totalmente verde, ele tem algo cremoso, aconchegante. Dizem que ele é perfume de verão, mas achei que se comportou muito bem no inverno chinfrim do Rio de Janeiro, Só consigo pensar em coisa boa quando sinto o cheiro dele, adoro inverno, adoro dia nublado, adoro a história que tenho com esse perfume e o tipo de personalidade que ele inspira em mim.

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